Howard Gardner (1985), baseando-se nas pesquisas de desenvolvimento cognitivo e da neuropsicologia, elaborou a “teoria das inteligências múltiplas”. Esta teoria, já assumida pela comunidade científica, atesta a falácia do ensino exclusivamente centrado no processo linguístico e lógico-matemático, característico do ensino tradicional. O “amordaçar” das outras inteligências, quer nos objectivos do curriculum, quer nos recursos utilizados para o seu desenvolvimento, tem arrastado muitas crianças e jovens para situações de “criminalidade” que, felizmente, nem sempre temos a coragem de punir, dada a falsidade das premissas! Pois, como questiona Rubem Alves (2002), violentos são os pássaros que se atiram contra as grades das gaiolas ou violentas são as imóveis gaiolas que os aprisionam?; violentos são os nossos alunos ou violentas são as escolas que os “amordaçam”?
Na verdade, não é na quantidade de escola que está a raiz ou a solução para os problemas que afectam as nossas comunidades educativas (John Taylor Gatto diz mesmo que é a escola o problema da educação!!).
A teoria de Gardner indica-nos alguns caminhos a percorrer, tal como criar um ambiente educativo mais amplo e variado. Ora, a tecnologia educativa proporcionada pelo projecto InterAct é um contributo importante para este novo paradigma educativo que urge implementar.
Contudo, concordo totalmente que são necessárias condições para que tal tecnologia seja democratizada. Não podemos cair no erro de fazer de certos recursos o que o ensino tradicional fez do saber: torná-lo exclusivo dos professores!
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